Existe uma diferença enorme entre encontrar uma tecnologia interessante e encontrar uma empresa capaz de transformar essa tecnologia em um negócio sustentável.
Essa diferença é especialmente importante no universo das startups de blockchain.
Nos últimos anos, milhares de projetos surgiram, prometendo revolucionar pagamentos, investimentos, identidade digital, inteligência artificial, finanças e propriedade de ativos. Alguns apresentaram soluções realmente inovadoras. Outros desapareceram quando o entusiasmo do mercado diminuiu.
Por isso, quem pesquisa como investir em startups de blockchain precisa olhar além do preço de um token, do número de seguidores nas redes sociais ou de uma lista de investidores famosos.
A pergunta mais importante não é:
“Qual projeto pode valorizar mais?”

A pergunta é:
“Existe uma empresa, produto ou protocolo capaz de criar valor real e sobreviver quando o hype acabar?”
Essa mudança de perspectiva transforma completamente a maneira de analisar o setor.
Em 2026, esse cuidado se tornou ainda mais relevante porque blockchain deixou de ser discutida apenas como tecnologia associada às criptomoedas. Bancos, empresas financeiras e instituições públicas estão experimentando aplicações envolvendo tokenização, pagamentos programáveis e infraestrutura financeira.
O Bank for International Settlements (BIS), por exemplo, vem desenvolvendo projetos experimentais para estudar como a tokenização pode modificar pagamentos e mercados financeiros. No Project Agorá, bancos centrais e instituições financeiras privadas estão investigando uma infraestrutura compartilhada para pagamentos internacionais. BIS — Project Agorá
Isso não significa que toda startup blockchain seja promissora.
Significa que existe uma transformação tecnológica suficientemente relevante para justificar uma análise séria.
O que é uma startup de blockchain?
Uma startup de blockchain é uma empresa ou projeto em fase inicial ou de crescimento que utiliza blockchain, tecnologias de registro distribuído ou sistemas relacionados para resolver um problema específico.
Esse detalhe é importante porque startup de blockchain não é sinônimo de criptomoeda.
Uma empresa pode desenvolver infraestrutura para bancos sem lançar um token.
Outra pode criar ferramentas para desenvolvedores.
Outra pode trabalhar com pagamentos.
Outra pode desenvolver sistemas de identidade digital.
E outra pode utilizar blockchain para representar ativos financeiros.
Entre os principais segmentos estão:
- infraestrutura blockchain;
- Layer 1 e Layer 2;
- pagamentos;
- stablecoins;
- tokenização de ativos;
- RWA;
- DeFi;
- identidade digital;
- segurança;
- inteligência artificial;
- DePIN;
- infraestrutura para empresas;
- mercados financeiros digitais.
Portanto, antes de perguntar se uma startup é interessante, é necessário entender o que ela realmente está construindo.

Por que investir em startups de blockchain é diferente de comprar uma criptomoeda?
Essa é uma distinção que costuma ser ignorada.
Quando alguém compra uma criptomoeda negociada em uma grande plataforma, normalmente está adquirindo um ativo que possui determinado mercado, liquidez e histórico.
Uma startup em estágio inicial é outra história.
Ela pode ainda estar:
- desenvolvendo o produto;
- procurando clientes;
- testando o modelo de negócio;
- captando recursos;
- contratando profissionais;
- construindo sua comunidade;
- tentando encontrar um mercado adequado.
Em outras palavras, o investidor não está simplesmente analisando um ativo de mercado.
Está tentando compreender uma empresa ou tecnologia que ainda está descobrindo seu próprio caminho.
É por isso que métricas tradicionais de mercado podem não ser suficientes.
O primeiro passo é descobrir qual problema a startup resolve
Essa é provavelmente a pergunta mais simples e, ao mesmo tempo, uma das mais importantes.
Imagine que uma startup diga que pretende “revolucionar o sistema financeiro utilizando blockchain”.
Isso parece interessante, mas ainda não explica nada.
Pergunte:
Qual problema existe hoje?
Quem sofre com esse problema?
Quanto custa resolver esse problema atualmente?
Por que blockchain seria melhor do que a tecnologia tradicional?
Quem pagaria pela solução?
Se essas perguntas não tiverem respostas claras, existe um problema.
Uma tecnologia pode ser sofisticada e, ainda assim, não encontrar demanda.
Esse é um dos erros mais comuns em mercados emergentes: confundir possibilidade tecnológica com necessidade comercial.
Blockchain precisa resolver um problema real?
Não necessariamente todo problema precisa de blockchain.
Essa é uma pergunta que vale a pena fazer antes de se entusiasmar com qualquer startup.
Imagine uma empresa que desenvolve um sistema simples de cadastro de clientes.
Se um banco de dados tradicional resolve o problema de maneira mais barata, rápida e eficiente, por que utilizar blockchain?
Por outro lado, existem situações em que vários participantes precisam compartilhar informações, registrar transferências ou executar regras sem depender de uma única base de dados.
É nesses casos que blockchain pode apresentar uma vantagem mais interessante.
A análise, portanto, não deveria começar pela tecnologia.
Deveria começar pelo problema.
Primeiro vem a necessidade. Depois vem a tecnologia utilizada para resolvê-la.
Os setores de blockchain que merecem atenção em 2026
O mercado é amplo demais para ser tratado como uma única categoria.
Algumas áreas, porém, ganharam importância por estarem mais próximas de aplicações econômicas concretas.
Infraestrutura blockchain
Infraestrutura é a camada que permite que outras aplicações funcionem.
Isso inclui soluções relacionadas a:
- escalabilidade;
- interoperabilidade;
- segurança;
- armazenamento;
- APIs;
- ferramentas para desenvolvedores;
- infraestrutura de nós;
- Layer 2.
Uma startup pode não ter milhões de usuários finais e ainda assim possuir importância estratégica se sua tecnologia for utilizada por outras empresas.
Tokenização de ativos
A tokenização é outra área particularmente relevante.
Ela procura representar ativos ou direitos de maneira digital, utilizando infraestrutura blockchain ou tecnologias semelhantes.
Entre os exemplos estudados estão:
- títulos;
- fundos;
- imóveis;
- crédito;
- recebíveis;
- commodities;
- outros ativos financeiros.
O BIS tem destacado a tokenização como uma possível evolução da infraestrutura dos mercados financeiros, especialmente pela possibilidade de combinar registros e regras programáveis em uma mesma infraestrutura. BIS — Annual Economic Report 2025, capítulo sobre tokenização
Para entender melhor esse mercado, vale consultar também nosso guia sobre tokenização de ativos.
Pagamentos
Pagamentos internacionais continuam sendo um dos campos em que blockchain desperta interesse institucional.
O desafio não é apenas enviar dinheiro de um país para outro. Existem questões envolvendo liquidação, horários de funcionamento, intermediários, conversão cambial, compliance e diferentes sistemas financeiros.
O Project Agorá do BIS está justamente investigando como dinheiro de bancos centrais e depósitos bancários tokenizados poderiam funcionar em uma plataforma programável para pagamentos internacionais. BIS — Project Agorá
DeFi
As finanças descentralizadas procuram oferecer determinados serviços financeiros utilizando contratos inteligentes e protocolos blockchain.
O setor inclui mercados de empréstimos, negociação, liquidez e outras aplicações.
Mas também envolve riscos específicos.
Um protocolo pode sofrer vulnerabilidades em contratos inteligentes, problemas de governança ou alterações abruptas de liquidez.
Por isso, atividade elevada em um protocolo não significa automaticamente que ele possui um modelo sustentável.
Inteligência artificial e blockchain
A combinação entre IA e blockchain também está atraindo startups.
Os casos de uso incluem:
- identidade;
- autenticação;
- dados;
- infraestrutura de computação;
- agentes digitais;
- verificação de informações;
- propriedade e controle de determinados dados.
É uma área interessante, mas também muito exposta ao marketing.
Quando uma startup coloca “AI + blockchain” na apresentação, a pergunta continua sendo a mesma:
qual problema concreto essa combinação resolve?
O produto existe ou ainda é apenas uma promessa?
Essa é uma das primeiras verificações que eu faria antes de analisar qualquer startup.
Existe uma diferença enorme entre:
ideia → protótipo → produto funcional → primeiros clientes → crescimento.
Um projeto que possui apenas uma apresentação bonita não deve ser avaliado da mesma maneira que uma empresa que possui clientes e receita.
Procure evidências.
Veja se existe:
- produto funcionando;
- documentação;
- demonstração;
- clientes;
- usuários;
- integrações;
- atividade de desenvolvimento;
- histórico de atualizações.
E existe uma regra simples que ajuda bastante:
quanto mais inicial for o projeto, maior deve ser a humildade nas conclusões.
Quem está construindo a empresa?
A equipe não garante o sucesso de uma startup, mas pode revelar muito sobre sua capacidade de execução.
Pesquise os fundadores.
Veja:
- experiência profissional;
- formação;
- projetos anteriores;
- histórico empresarial;
- experiência técnica;
- participação pública no desenvolvimento.
Também observe como a equipe reage quando surgem problemas.
Uma empresa transparente não precisa fingir que tudo está perfeito.
Na verdade, admitir dificuldades, explicar atrasos e mostrar como os problemas estão sendo resolvidos pode ser um sinal muito mais interessante do que uma sequência interminável de anúncios otimistas.
Como analisar a tokenomics de uma startup?
Nem toda startup blockchain possui token.
Quando existe um, porém, a análise precisa ir muito além do preço.
Primeiro, descubra:
Para que o token serve?
Ele possui utilidade dentro do produto?
É utilizado para governança?
É necessário para acessar determinado serviço?
Ou sua principal função parece ser especulativa?
Depois observe a oferta.
É importante conhecer:
- oferta máxima;
- quantidade em circulação;
- distribuição;
- cronograma de desbloqueios;
- participação da equipe;
- participação de investidores;
- tokens destinados à tesouraria.
Um projeto pode apresentar tecnologia excelente e ainda possuir uma estrutura econômica ruim.
Por isso, tokenomics não deve ser analisada separadamente do negócio.
Startup blockchain precisa emitir seu próprio token?
Não.
Esse talvez seja um dos conceitos mais importantes para quem está entrando no setor.
Uma empresa pode construir um negócio baseado em blockchain e ganhar dinheiro vendendo:
- software;
- infraestrutura;
- serviços;
- APIs;
- ferramentas empresariais;
- soluções de segurança;
- serviços de custódia;
- sistemas de tokenização.
Ela não precisa necessariamente criar um token público.
Isso significa que existem dois conceitos diferentes:
empresa blockchain
e
token associado a um projeto.
Eles podem estar relacionados, mas não são a mesma coisa.
Como saber se existe um modelo de negócio sustentável?
Uma startup precisa ter alguma lógica econômica.
Pergunte:
Quem paga pelo produto?
Pode ser:
- consumidor;
- empresa;
- banco;
- instituição financeira;
- desenvolvedor;
- plataforma;
- governo;
- outro participante do ecossistema.
Depois pergunte:
Como a empresa ganha dinheiro?
Pode ser por assinatura, licença, taxa de transação, prestação de serviços ou outro modelo.
Finalmente:
A receita pode crescer de maneira sustentável?
Uma empresa que precisa gastar cada vez mais para conquistar cada novo cliente pode enfrentar dificuldades mesmo apresentando crescimento de usuários.
Parcerias: cuidado com o marketing
Esse é um dos pontos em que eu teria mais cuidado.
Uma startup pode anunciar uma parceria com uma empresa conhecida.
Mas o que exatamente isso significa?
Pode ser:
- integração técnica;
- colaboração experimental;
- participação em um programa;
- fornecedor;
- cliente;
- acordo comercial;
- investimento.
São situações completamente diferentes.
Por isso, não basta ler:
“Startup X fez parceria com Empresa Y.”
Procure a fonte original e descubra o que realmente foi anunciado.
Se possível, confirme a informação nos dois lados.
O papel do venture capital
Fundos de venture capital podem fornecer dinheiro, conhecimento e conexões para startups.
Quando um fundo conhecido investe em uma empresa, isso pode ser uma informação útil.
Mas não deve ser confundido com certificação de qualidade.
Investidores profissionais também erram.
Além disso, um fundo pode investir em dezenas de empresas sabendo que algumas não irão prosperar.
Por isso, o investimento institucional é apenas uma peça do quebra-cabeça.
A pergunta continua sendo:
o negócio possui fundamentos próprios?
Como avaliar a atividade de desenvolvimento?
Em projetos de código aberto, ferramentas como GitHub podem ajudar a observar a atividade técnica.
Alguns sinais que podem ser analisados são:
- frequência de atualizações;
- novos recursos;
- correções;
- colaboradores;
- desenvolvimento de documentação;
- evolução do código.
Mas existe uma armadilha.
Mais código não significa necessariamente melhor projeto.
Uma equipe pode publicar centenas de alterações pouco relevantes.
Outra pode fazer poucas atualizações porque está trabalhando em uma grande mudança estrutural.
Por isso, atividade de desenvolvimento precisa ser interpretada junto com produto, usuários e resultados.
Quais métricas realmente importam?
Não existe uma lista universal.
Depende do modelo de negócio.
Uma startup DeFi pode ser analisada por métricas como TVL, volume, usuários e atividade do protocolo.
Uma empresa de infraestrutura pode ter mais relevância em:
- clientes;
- receita;
- integrações;
- utilização da tecnologia.
Uma startup de pagamentos pode ser avaliada por:
- volume processado;
- clientes;
- retenção;
- custos;
- expansão geográfica.
Uma empresa de tokenização pode ser observada por:
- ativos tokenizados;
- instituições participantes;
- volume;
- número de emissões;
- receita;
- utilização efetiva.
O melhor indicador é aquele que responde:
o produto está realmente sendo utilizado?
O que é TVL e por que não deve ser analisado isoladamente?
TVL significa Total Value Locked, ou valor total depositado em determinado protocolo.
É uma métrica bastante utilizada em DeFi.
Ela pode ajudar a entender o tamanho de uma aplicação, mas não deve ser tratada como sinônimo de receita, lucro ou qualidade.
Um protocolo pode apresentar TVL elevado e ainda enfrentar problemas de sustentabilidade.
Da mesma maneira, uma startup muito pequena pode apresentar TVL reduzido simplesmente porque está em estágio inicial.
Sempre procure entender o que está por trás do número.
Como identificar sinais de alerta?
Alguns sinais merecem investigação.
Promessas de retorno garantido
Esse é um dos maiores alertas.
Mercados financeiros envolvem incerteza.
Urgência artificial
Frases como “última chance” ou “compre antes que seja tarde” dizem mais sobre marketing do que sobre fundamentos.
Equipe sem transparência
Quanto menos informações verificáveis existirem, mais difícil fica avaliar o projeto.
Roadmap constantemente atrasado
Um atraso isolado pode acontecer.
A repetição de promessas não cumpridas é diferente.
Tokenomics obscura
Se não está claro quem possui os tokens, quando ocorrerão desbloqueios ou como funciona a emissão, a análise fica incompleta.
Produto inexistente
Uma promessa futura não é o mesmo que um produto funcionando.
Parcerias difíceis de confirmar
Sempre procure a fonte original.
Regulação pode mudar completamente uma startup
Blockchain é uma tecnologia global, mas as leis não são.
Uma startup que opera em determinado país pode estar sujeita a regras diferentes de outra empresa que atua em outra jurisdição.
Isso pode afetar:
- emissão de tokens;
- valores mobiliários;
- pagamentos;
- custódia;
- proteção do consumidor;
- prevenção à lavagem de dinheiro;
- captação de recursos.
A SEC, por exemplo, publicou orientações recentes sobre criptoativos e a aplicação das leis federais de valores mobiliários nos Estados Unidos. SEC — Transactions Involving Crypto Assets
Por isso, uma startup que parece excelente do ponto de vista tecnológico pode enfrentar dificuldades se seu modelo não estiver adequado ao ambiente regulatório.
O que a tokenização tem a ver com startups de blockchain?
Tem muito a ver.
A tokenização pode ser uma das áreas em que blockchain encontra diretamente o mercado financeiro tradicional.
Imagine uma infraestrutura capaz de representar digitalmente determinados títulos ou direitos e automatizar parte de sua emissão, transferência e liquidação.
É exatamente esse tipo de possibilidade que vem atraindo bancos e instituições financeiras.
O BIS destaca que a tokenização pode combinar registros de ativos, dinheiro e regras de operação em infraestruturas programáveis. BIS — Tokenisation and the Future of the Monetary System
Para quem acompanha startups, isso cria uma pergunta interessante:
quais empresas estão construindo a infraestrutura necessária para esse mercado?
É uma pergunta muito mais útil do que simplesmente procurar “o próximo token que vai subir”.
Startups early-stage e growth-stage não devem ser analisadas da mesma forma
Uma empresa recém-criada pode ter uma tecnologia excelente e nenhum cliente.
Outra pode ter tecnologia menos revolucionária, mas já possuir contratos e receita.
Qual é melhor?
Não existe resposta automática.
Early-stage
Normalmente apresenta:
- maior incerteza;
- produto ainda em desenvolvimento;
- poucos clientes;
- maior dependência de capital;
- histórico limitado.
Growth-stage
Normalmente apresenta:
- produto mais maduro;
- clientes;
- receita;
- parcerias;
- maior histórico operacional.
A segunda pode parecer menos emocionante.
Mas informação também tem valor.
Quanto mais histórico existe, mais dados estão disponíveis para testar se a empresa realmente está cumprindo aquilo que promete.
Como profissionais analisam uma startup?
Não existe um método único.
Mas uma análise séria normalmente começa com uma sequência parecida:
Problema → Produto → Mercado → Equipe → Modelo de negócio → Tecnologia → Regulamentação → Concorrência → Economia
Essa ordem ajuda a evitar um erro comum:
começar pelo preço.
O preço deveria aparecer depois da compreensão do projeto, e não antes.
O tamanho do mercado importa?
Muito.
Uma startup pode resolver perfeitamente um problema pequeno demais para sustentar uma empresa de grande escala.
Por outro lado, um mercado enorme também não garante sucesso.
Imagine duas empresas.
A primeira possui um mercado potencial gigantesco, mas enfrenta dezenas de concorrentes muito capitalizados.
A segunda atua em um mercado menor, porém possui uma tecnologia difícil de replicar e clientes fiéis.
A análise precisa considerar:
- tamanho do mercado;
- concorrentes;
- barreiras de entrada;
- custos;
- diferenciação;
- capacidade de expansão.
Concorrência é um bom sinal ou um problema?
Pode ser os dois.
Concorrência mostra que existe interesse econômico.
Mas também significa que a startup precisa explicar por que consegue conquistar espaço.
Procure descobrir:
O que ela faz melhor?
É mais barata?
É mais rápida?
Possui uma tecnologia diferente?
Tem acesso a um mercado específico?
Possui alguma vantagem regulatória ou operacional?
Uma startup sem concorrentes pode ter encontrado um mercado inexplorado.
Mas também pode ter descoberto um problema pelo qual ninguém está disposto a pagar.
O que observar depois de analisar uma startup?
A análise não termina quando você entende o projeto.
Startups mudam rapidamente.
Acompanhe:
- novos produtos;
- clientes;
- receita;
- financiamento;
- mudanças na equipe;
- atualizações técnicas;
- alterações regulatórias;
- segurança;
- utilização da plataforma;
- cumprimento do roadmap.
Uma tese que fazia sentido há seis meses pode deixar de fazer sentido hoje.
Por isso, investir em empresas inovadoras exige acompanhamento contínuo, e não apenas uma pesquisa feita no dia da decisão.
Erros que podem destruir uma boa análise
Um dos maiores erros é acreditar que uma startup precisa ser “a próxima grande empresa”.
Essa expectativa cria uma visão extremamente emocional.
Outros erros comuns incluem:
- comprar apenas porque o preço caiu;
- seguir influenciadores sem verificar fontes;
- confundir seguidores com usuários;
- considerar parceria como receita;
- ignorar concorrentes;
- ignorar regulamentação;
- não ler a documentação;
- concentrar toda a análise no token;
- acreditar que financiamento garante sucesso;
- confundir inovação com viabilidade comercial.
O objetivo de uma análise não deveria ser encontrar uma história perfeita.
Deveria ser encontrar informações suficientes para compreender a história real.
Startups de blockchain e o novo ciclo dos ativos digitais
Existe uma mudança interessante acontecendo no mercado.
Durante determinados ciclos, a atenção fica concentrada em preço e especulação.
Em outros momentos, o foco se desloca para infraestrutura.
Hoje, temas como:
- tokenização;
- stablecoins;
- pagamentos;
- RWA;
- infraestrutura institucional;
- identidade digital;
- interoperabilidade;
aproximam blockchain de setores econômicos tradicionais.
Isso pode criar oportunidades para empresas que conseguem resolver problemas reais.
Mas também cria espaço para uma quantidade enorme de projetos que utilizam essas palavras apenas como estratégia de marketing.
A diferença será determinada pela execução.
O que diferencia uma startup blockchain promissora de uma narrativa?
Não existe uma característica isolada.
Mas algumas perguntas ajudam.
Existe produto?
Existem usuários?
Existe receita ou um caminho plausível para gerar receita?
A equipe consegue executar?
A tecnologia é necessária?
O mercado é suficientemente grande?
A regulamentação foi considerada?
O projeto possui alguma vantagem competitiva?
As informações podem ser verificadas?
Quanto mais respostas concretas existirem, melhor será a qualidade da análise.
Perguntas frequentes sobre startups de blockchain
O que é uma startup de blockchain?
É uma empresa ou projeto que utiliza blockchain ou tecnologias relacionadas para criar produtos, serviços ou infraestrutura.
Toda startup blockchain possui uma criptomoeda?
Não. Muitas startups não possuem token próprio.
Como saber se uma startup blockchain é confiável?
Não existe um selo universal de confiabilidade. É necessário analisar equipe, produto, clientes, tecnologia, modelo de negócio, segurança, documentação e regulamentação.
O investimento de fundos de venture capital garante sucesso?
Não. Investidores profissionais também assumem riscos e podem errar.
O que devo analisar antes de considerar uma startup?
Comece pelo problema, produto, mercado, equipe, modelo de negócio e regulamentação. Depois aprofunde tecnologia, concorrência e estrutura econômica.
Tokenomics é suficiente para analisar um projeto?
Não. Tokenomics é apenas uma parte da análise. É necessário entender também o produto e o modelo econômico.
Blockchain realmente está sendo usada por instituições financeiras?
Sim. O BIS e diversas instituições financeiras participam de projetos experimentais envolvendo tokenização e pagamentos baseados em infraestrutura programável. BIS — Project Agorá
O que são startups de RWA?
São empresas ou projetos que desenvolvem tecnologias e estruturas para representar, administrar ou negociar ativos do mundo real em ambientes digitais.
Conclusão: investir em startups de blockchain exige mais pesquisa do que entusiasmo
Existe uma parte fascinante nas startups de blockchain: muitas delas estão tentando construir coisas que ainda não possuem uma forma definitiva.
Isso abre espaço para inovação.
Mas também aumenta a incerteza.
Uma startup pode apresentar uma tecnologia impressionante e não encontrar mercado. Pode conquistar usuários e não conseguir monetizar. Pode receber milhões em financiamento e ainda assim falhar na execução.
Por isso, a melhor postura diante desse mercado não é entusiasmo permanente nem pessimismo automático.
É curiosidade com disciplina.
Antes de considerar qualquer projeto, procure entender o problema, o produto, a equipe, o mercado, a tecnologia, a regulamentação e a economia da empresa.
E quando existir um token, trate-o como uma camada adicional da análise — não como substituto para ela.
O cenário de 2026 mostra que blockchain está sendo explorada cada vez mais como infraestrutura. Os projetos do BIS envolvendo tokenização e pagamentos são exemplos concretos dessa mudança. BIS — Innovation Hub Projects
Isso torna o setor interessante.
Mas interesse tecnológico não é garantia de retorno financeiro.
A diferença entre acompanhar uma tendência e compreender uma transformação está justamente na capacidade de separar produto de promessa, adoção de marketing e inovação real de especulação.
Continue aprendendo
Fontes de referência
- Bank for International Settlements — Project Agorá
- Bank for International Settlements — Tokenisation
- U.S. Securities and Exchange Commission — Crypto Assets